Metáforas

Hoje vou dar uma de Lula...vou fazer uso de metáforas.

A maior parte das pessoas já fez algum tipo de prova de mútlipla escolha, seja vestibular, seja concurso. Pois bem, já na primeira vez em que fazemos esse tipo de prova, aprendemos a mais básica regra: nunca troque a primeira resposta que você considerou certa. Certo? Pois então, não sei se sou apenas eu, mas passam-se os anos e eu continuo não fazendo isso!

É mais ou menos assim: tu lê a questão e depois as opções. Decide marcar c, por exemplo. Vai fazer o resto da prova. No final, quando vai passar para a grade, relê e acha "uh, acho que não é bem isso, parece ser mais aquilo". Vai lá, e marca a outra resposta. Chega o gabarito e adivinha? A resposta certa era a primeira. Aí bate a raiva e a vontade de se atirar embaixo de um carro.

Mas porque estou escrevendo sobre isso? Fora o fato de eu ter feito recentemente a prova para ingresso no Instituto Rio Branco e ter feito isso umas duas vezes (fiz outras merdas naquela maldita prova feita pela Cespe, mas isso é outro assunto) apesar de já ter feito quatro vestibulares na ufrgs e mais umas três provas de concurso, o fato é que acho que isso serve como exemplo para outras coisas na vida.

Tu ta lá, bem bela, achando que está agradando o cara e ele larga uma que mostra claramente que não tem interesse em ti, e/ou pior, que está interessada em outra. Na hora cai a ficha: puta merda! Passado o choque, tu repassa cada virgula, cada entonação, cada palavra pra tentar se convencer que talvez não tenha sido aquilo que ele quis dizer.

Cenário pior: levou um fora mesmo. Mas não dá para aceitar, então fica pensando que talvez o cara seja emocionalmente confuso, que ele quer mas não sabe que quer, e que aquilo que tu achou ser um fora não era na verdade...Mas era!

Teu chefe chega e larga uma letrinha que as pessoas andam se atrasando ou não fazendo o trabalho como deveria, ou no ritmo que deveria ser feito. Putz, que saco. Ah, mas não foi bem isso, olha só como ele falou aquilo, aquela palavra pode ter vários significados, ele tava stressado.

Balela! Era aquilo mesmo, aquela primeira coisa que tu achou que fosse. É muito dificil engolir essa constatação, porque está muito em voga a tal de interpretação. Fazemos isso ao ler textos, de qualquer área profissional, e até em livros de ficção (sem falar na poesia, que exige capacidade interpretativa). No meu caso é pior, porque passamos cinco anos na faculdade aprendendo que aquilo que está escrito na lei e parece tão claro pode ter várias interpretações, variando conforme a construção doutrinária. Um doutrinador diz a outro diz b. Aí a gente se fode - e não no bom sentido.

Pois então, estou aqui, escrevendo para tentar exteriorizar isso, na esperança de parar com esse pessimo hábito, buscando a aceitação de como as coisas são. Levou uma na cabeça? Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, como dizia o famoso samba. É foda? Sim, é foda, mas é a vida.

Se for os dois primeiros exemplos, tenta de novo com outra pessoa ou come uma barra de chocolate que passa (pelo menos temporariamente). Se for o terceiro caso, vai pra fila do Sine ou se contenta com a critica e tenta melhorar e puxar o saco do chefe. Se for o primeiro caso, usado como metáfora, tenta lembrar no proximo vestibular ou concurso que NUNCA deve se duvidar da primeira resposta marcada! NUNCA!

A genialidade da simplicidade

Seiscentos e Sessenta e Seis

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...

Mario Quintana

P.S: Esse poema se encaixa no assunto que deu origem à algumas postagens anteriores.Passaram semanas e eu continuo me indagando sobre isso. A única coisa boa é que, pela primeira vez na vida, estou agindo. Espero que não seja que nem dieta (pelo menos as minhas) que começam bem mas degringolam com o passar do tempo. É impressionante o poder que tem a rotina, as coisas parecem sempre voltar de onde começaram, em um ciclo vicioso.
Espero que a rotina e a comodidade não me prendam novamente e que eu possa continuar não olhando o relógio e seguindo em frente.
P.S.2: Não sou fã de poesia. Tentei várias vezes, mas não troco uma boa ficção por um poema. Entretanto, escritores como Quintana, Emily Dickinson e Tiago de Mello me encantam. Os poetas brasileiros por sua simplicidade, pela visão poética do cotidiano, a Emily Dickinson pela visão poética da desgraça e da tristeza (sim, isso mesmo, a mulher era bem deprê). Enfim, esse poeminha de hoje, na minha humilde visão, é magnifico.

E já passou...

Não dura quase nada... Se há dois dias eu estava feliz, ontem e hoje já se foi aquele sentimento. Isso não siginifica que estou vivendo o oposto - tristeza- mas tão somente que a realidade e a rotina retomaram seus espaços.
Ontem foi um daqueles dias em que tudo parece dar errado: perdi a van que faz o percurso entre os tribunais e foruns - estava lotada- e a outra iria demorar 45 minutos. Jura né! Fui pegar ônibus, passou 20 minutos e nada. Já irritada nessa altura do campeonato, peguei uma lotação (que custa R$ 3,10, diga-se de passagem). Cheguei à Justiça Federal, já puta, dei mil voltas e , finalmente, quando deu para parar um pouco fui ao banheiro. Então, consegui uma proeza: prendi o dedo na hora de dar a descarga! Isso mesmo, ficou preso, doeu para #$%#%¨&¨. Depois perdi o ônibus para ir para a faculdade, cheguei atrasada, tropecei em mim mesma...Ufa! Foi uma merda. E eu pensava isso, que o dia estava um horror, que até os mínimos detalhes davam errado.
Foi então, que para minha surpresa, tentei pela pela primeira vez, desviar o pensamento das merdinhas do dia, tentando estabelecer um pensamento positivo...Senti uma emoção, eu, pessimista mor, tentando por em prática os ensinamentos de "O Segredo" (isto foi um comentário irônico)! Foi um momento único, ironias a parte! Durou pouco, porque uns 20 minutos depois, já estava emburrada com outra situação, sobre a qual, aliás, provavelmente divagarei em breve.
Mas enfim, foi uma conquista! Dá esperança de que podemos superar pelo menos pequenos erros que cometemos diariamente, buscando, assim, uma estabilidade emocional que nos permita viver melhor.
Vamos ver se isto, também, não é uma felicidade momentânea.

Felicidade momentânea

As vezes eu me impressiono como pequenas coisas, quase insignificantes, são capazes de gerar uma felicidade gigantesca!
Ai ai...Hoje, pelo menos nesse momento, estou feliz! Criando as tais expectativas sobre as quais falei anteriormente e que são perigosas...Mas isso prova que as vezes, nós somos animais irracionais!
A questão é: foda-se! Hoje eu fiquei feliz.

Poema do dia

O "eu", por trás de nós oculto,
É muito mais assustador,
E um assassino escondido em nosso quarto,
Dentre os horrores, é o menor.

Emily Dickinson

Carpe Diem?

Ontem estava voltando de carona para casa com uma colega da faculdade, e ela disse algo interessante: que, apesar de ser um clichê, nós - seres humanos - só temos, de fato, o dia de hoje. A consequência dessa constatação pode ser reduzida ao famoso "carpe diem", e significa, em outras palavras, que devemos viver cada dia com a única certeza de que não sabemos o dia de amanhã.
Mas porque algo tão banal me impulsionou a escrever sobre isso? Bom, porque acho que essa constatação faz parte daquele rol de coisas óbvias na teoria e que raramente são postas em prática. Foi, aliás, isso que respondi a minha colega. Sim, é fácil admitir que amanhã poderemos ser atingidos por um carro, que podemos ter um aneurisma cerebral fulminante, que podemos ter uma dor de cabeça e descobrir um câncer, etc...Mas o problema de internalizar isso é que a consequência é que devemos fazer aquilo que queremos e desejamos, e isso implica em tomada de atitudes para as quais nem sempre estamos preparados. Vejamos: quantas coisas não deixamos de faze, embora queiramos, em razão de algo mal resolvido no passado, algum trauma, algum bloqueio? Quantas coisas não deixamos de fazer em razão de responsabilidades que são "dadas" social ou culturalmente? Eu fiquei pensando na dificuldade e na dor resultantes de se dar conta que a vida pode acabar daqui a pouco sem que tenhamos feito muito do que queriamos. Daí é mais fácil se enganar, acreditando, inconscientemente, que temos um futuro longo diante de nós, e que podemos nos dar ao luxo de fazer planos a longo e médio prazo.
Aliás, fazer planos a longo prazo é algo incentivado em termos econômicos ou até mesmo de planejamento familiar...Mas isso implica na crença de que o futuro é certo.Então como ficariam nossas vidas se só pensassemos no hoje?
Ai...sei lá. Pensar nisso é muito foda. Eu, por exemplo, trabalho com algo que não gosto por necessidade, não só por causa do dinheiro, mas porque a lógica diz que se fiz uma faculdade (privada, diga-se de passagem), investi cinco anos de estudo nisso, me formei, passei na OAB, etc, é esperado que utilize isso para meu sustento. Como simplesmente largar tudo? Dizer "bom gente, to indo embora!"...Isso seria um choque para todos...Até mesmo largar o emprego seria visto por alguns como insensatez. Então eu fico, sendo confrontada, de vez em quando, com a realidade de que se minha vida terminasse hoje eu não ia ficar feliz com o balanço entre conquistas e derrotas.
Viver para o presente, sem pensar no futuro? Ou planejar o futuro e abdicar um pouco do presente? Há como encontrar equilibrio entre ambos? Ou ao privilegiar um deles, abrimos mão, querendo ou não, do outro?
Muitas perguntas. Nenhuma resposta.

Expectativas

Ah, expectativas... Isso é definitivamente um praga.

Uma vez li uma crônica da Martha Medeiros (sim, eu gosto dela) em que ela dizia que idealizar alguém ou algo é a pior coisa que podemos fazer, pois a realidade mais cedo ou mais tarde irá se fazer presente. Verdade.

Hoje estou com meu lado pessimista aguçado...Não sei bem porque, mas sei que ao longo dessa minha vida, já me decepcionei muito com os outros. Claro que constantemente me decepciono comigo mesma, mas por alguma razão, quando acontece com outra pessoa é pior, pelo menos no meu ponto de vista.

Nada de mais aconteceu que fizesse com que eu tivesse vontade de escrever sobre isso, mas essa questão envolvendo relacionamentos, em qualquer nível (amizade, amoroso, familiar, profissional), é algo que sempre me faz pensar. Inevitavelmente as pessoas magoam as outras, mesmo sem querer, faz parte da natureza humana( se é que ela existe). Algumas pessoas lidam bem com essa constatação, outras não. Eu fico no segundo grupo pois tenho a tendência filha da puta de idealizar os outros, razão pela qual a tal crônica da Martha me marcou. As vezes as pessoas que tu acha que estariam ao teu lado nos momentos ruins não estão...as vezes nem nos bons. E a verdade é que cada um tem a sua vida e seus problemas e exigir presença e atenção constantes é um erro estúpido e egoista. Mas saber isso em um nível consciente e de fato aplica-lo na vida são coisas muito distantes...Daí minha constante decepção com os seres humanos em geral.

Não adianta, o fato é que não podemos esperar dos outros aquilo que gostariamos que fizessem, fazê-lo é pedir para quebrar a cara. Esperar certas atitudes e imaginar cenários e acontecimentos são atitudes bonitas em poemas e filmes, mas no dia a dia, é muito perigoso. Cada vez que imaginamos algo para acontecer em um futuro, distante ou não, estamos nos colocando em um posição arriscada, na qual a possibilidade da frustração é muito maior do que da realização, ainda mais quando essa imaginação não depende apenas de nós, individualmente. Se não conseguimos colocar em prática muito do que desejamos e que depende apenas de nossas próprias atitudes, imagine quando depende de outros fatores? Um clichê que não é realísta é aquele que diz "Querer é poder". Quase sempre querer não é poder, se o querer depende de terceiros.

Pois bem, não sei...Só sei que amanhã é segunda feira, tenho que trabalhar (infelizmente), terei que fazer uma peça processual chamadas embargos de divergência, que eu nem sei bem o que é mas quu deve estar pronta até terça, e que no momento, mataria a primeira pessoa que passasse pela minha frente e me desse o mínimo motivo para tal.

Boa semana para todos! (ironia não se expressa em palavras, que merda).

Politica

O Analfabeto Político

Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel,
do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Ir embora

Motivada pela última postagem, fiquei pensando sobre a vontade de ir embora e como de fato algumas pessoas o fazem. Nos últimos meses de 2007, uma pessoa próxima ficou em um dilema que consistia em permanecer em Porto Alegre, com sua vida, família, amigos, faculdade e planos ou ir embora, ficar com a pessoa que descobriu amar. Ele pegou as malinhas e se fué! Nem preciso dizer que essa atitude, aos olhos de todos que estavam acompanhando a saga, foi um loucura, para dizer o mínimo.
Porém, fiquei pensando no que escrevi, que desde que voltei de Buenos Aires tenho vontade de pegar tudo e ir embora e como isso pode ser um reflexo da insatisfação com minha vida. Pois bem, fiz o link e pensei que esse amigo talvez sentisse o mesmo, uma insatisfação tremenda com os rumos que seguia aqui em POA. E se for esse o caso, talvez as críticas feitas à decisão dele sejam precipitadas.
Existem pessoas que gostam de uma rotina, de viver sua vida, com seus amigos, trabalhando, tendo sua casinha, suas coisas, etc. Outros gostam mesmo é de mudança, são avessos à rotina, à ordinariedade da vida. E tem, óbviamente, os que ficam entre os dois. E eu me enxergo assim porque embora goste de ter meu canto com minhas coisas (livros, dvds, fotos, roupas, quadros) e de valorizar muito minha familia e amigos, no íntimo eu sei que se ficar a vida inteira em uma mesma cidade, fazendo a mesma coisa vou enlouquecer. O "problema" é que meu lado racional tende a ser mais forte do que o emocional, e as consequências dessa racionalidade resultam em arrependimentos terriveis, que me perseguem. O clichê que diz que é melhor se arrepender do que tu fez do que não ter feito é a mais pura verdade; eu posso dizer, sem sombra de dúvidas, que não tenho arrependimentos a não ser de não ter feito muiiiiita coisa por falta de coragem ou por medos e traumas que me bloqueiam. Meu maior medo é que os anos passem e eu me encontre aqui, nessa cidade grande mas provinciana, fazendo o mesmo trabalho, vivendo a mesma vidinha de sempre, sonhando em conhecer o mundo. As vezes penso que eu tinha que mandar a puta que pariu as idéias corretas que dizem para ficar aqui, tentando fazer valer o esforço (entenda-se, valor financeiro e profissional) que tive para me formar e cuidando da minha mãe, em uma inversão de papéis familiares decorrentes do AVC dela que me esgota até o último fio de cabelo.
Haverão aqueles que dirão que essas idéias são pensamentos adolescentes, juvenis e imaturos...Talvez... só posso dizer com certeza que sinto isso desde cedo... embora seja a primeira vez que exteriorize esses sentimentos, eles sempre estiveram presentes. Só sei que não me importo em ter 25 anos e continuar com sonhos "adequados"à pessoas de 15, desde que eu possa usar a maturidade e as coisas que a vida me ensinou na porrada para concretiza-los.
Portanto, que ninguém se surpreenda se em um futuro próximo eu surtar e largar tudo.

Poupar para Viajar!

Viajar é tudo de bom.
Há exatamente um mês, estava eu passeando pelas ruas da capital européia da América Latina: Buenos Aires...E como foi bom!!!
O simples ato de caminhar, pegar um ônibus, entrar em um supermercado, tudo fica diferente, mais divertido, pelo simples fato de tu seres um estrangeiro naquele lugar (estrangeiro no sentido de "não dali"). A minha vida durante aquela semana foi oposta à minha rotina: acordar cedo não era um fardo, dormir tarde por causa do barulho era ótimo, caminhar horrores e ficar com os pés e tornozelos virados num "que que é isso" era mero efeito colateral...Tudo tinha um gostinho melhor.
Não sei explicar as razões para essa mudança de perspectiva radical que acontece em viagens. Certamente há alguma explicação antropológica para esse tipo de coisa, mas eu não sei e nem quero saber...Só sei que enquanto existem pessoas que querem trabalhar para comprar coisas (tvs LCD, carros superpotentes, roupas de marca, móveis luxuosos, etc) eu só tenho um objetivo (além de pagar as contas do mês, é claro) : poupar para viajar. Isso sim é qualidade de vida para mim!
Estou escrevendo isso porque desde ontem estou muito nostálgica e saudosista...queria não ter voltado de lá, não só pela cidade, mas pela experiência de ficar em albergue e pelas pessoas que conheci nele. Mais do que isso, tenho absoluta certeza de que essa vontade de voltar (e a vontade de não ir embora enquanto estava lá) tem uma explicação mais racional e incômoda: talvez eu simplesmente não goste da minha vida aqui. Simples não? Veja bem, o desejo de estar em outro lugar demonstra que o lugar em que estamos não nos satisfaz...Pois bem, e aí? O que eu faço com essa constatação?
Para ser honesta, queria pegar minhas malas e me mandar...Mas meu lado "pé no chão" não deixaria isso acontecer...não gastei uma nota fazendo faculdade, me formando pra largar tudo...Tenho minha mãe, minha vida...Então fico aqui.
Maaaaaaaaaaaaaasss....viajar eu posso! E por isso volto à idéia original do texto: poupar para viajar! Porque se não dá para fugir permanentemente, que dure pelo menos uma semana e me deixe boas lembranças como Buenos Aires deixou.

Quem sou eu (versão que não pode ser colocada no Orkut)

Pois então...quem sou eu??

Sou uma pessoa nascida em 09 de dezembro de 1982;
Sagitariana;
Filha única;
Só tenho minha mãe;
Não conheço meu pai;
Isso, entre outras coisas, me fez procurar uma terapia;
Adoro psicologia e psicanálise;
Amo o Direito, sou formada;
Amo a História, estou para me formar;
Estudos os dois;
Fui abandonada por uma das primeiras pessoas existentes na vida de qualquer um;
Sou preguiçosa;
Adoro ler;
Adoro assistir tv, principalmente seriados;
Adorava Arquivo X na adolescência, era quase um fanatismo;
Agora adoro House e amo Friends;
Adoro cinema, mas não sou grande conhecedora;
Adoro viajar;
Já fui pra Disney, Inglaterra, França, Italia, Austria e Argentina;
Amo e odeio o Brasil;
Amo meus amigos, mas tenho muito medo de me decepcionar com os mesmos, e de decepcioná-los;
Tenho baixa tolerância à espera;
O cara que mais gostei...não sei o que sentia por mim;
Reforçou o medo e a insegurança com relação à decepção;
Adoro dormir;
Adoro comer;
Odeio estar acima do peso;
Mas não consigo parar de comer porcaria;
Me odeio a maior parte do tempo;
Mas as vezes gosto da pessoa que me tornei, apesar dos pesares;
Minha mãe sofreu um derrame há um ano e meio, fiquei com medo de perde-la, e hoje tenho raiva do que a doença dela fez da minha vida, por mais que saiba que isso é horrivel;
Queria me mudar para um lugar onde as pessoas não me conhecessem e pudesse ser quem eu gostaria de ser;
Odeio advogar mas preciso fazê-lo, pelo dinheiro;
Adoro estudar, e sublimo com isso;
Viva Freud;
E Nietzsche;
E principalmente Dostoievsky. O cara escreve não sobre o que as pessoas aparentam ser ou falam, mas o que elas sentem e pensam...isso é realmente quem somos;
Queria saber escrever e viver disso, da literatura;
Quero fazer mestrado, e de preferência com bolsa;
Fumo e não consigo me imaginar não fumando;
Sou pessimista, mas no fundo espero que esteja errada e que conheça alguém a quem possa chamar de "amor de verdade", embora a verdade seja algo relativo (ela existe?);
A maior parte do tempo, odeio o ser humano;
Mas as vezes gosto dele;
A tristeza pode ser algo bom;
Mas estou cansada da solidão;
Adoro U2 e Madonna;
Mas ouço muita merda e não consigo parar de ouvir a música Umbrella;
Adoro inglês;
Não gosto de espanhol, mas quero aprender, pois estamos cercados por países hispânicos e isso é sim importante;
Sinto inveja e culpa por senti-la;
Tenho muita culpa, como boa católica;
Já não sei se acredito em Deus;
Seria bom que ele existisse;
A vida não faz sentido;
Mas quero que faça
E vou tentar encontrar o meu.
Tenho muitas manias: durmo com a tv ligada, gosto da madrugada, acordo de mau humor de manhã e odeio contato humano na primeira meia hora do dia; deixo a tampa da pasta de dente aberta, rasgo os sacos de pães, gosto de tomar banho e ficar só de toalha, secando ao natural;
Tenho um travesseiro, que agora é um trapo, desde que nasci;
Tenho os dois tornozelos fudidos e muita dor nos pés;
Odeio usar saltos, embora ache lindo e pense que qualquer mulher fica mais bonita neles;
Odeio calor, praia e verão;
Amo inverno, frio, queria morar na Europa;
Adoro festas com cerveja;
Queria ser mais inteligente, embora perceba que me acho mais do que penso ao procurar pessoas para trocar idéias, conversar;
Tenho muita vontade de chorar, mas não choro em público;
Queria chorar agora;
Quando me apaixono fico ridícula;
Geralmente dá merda;
As vezes acho que vou morrer sozinha;
Mas me podo e penso que não dá para pensar assim;
Queria, nesse exato momento, poder ir embora de Porto Alegre mas não tenho dinheiro;
Tenho que trabalhar num emprego que não gosto;
Poderia ficar aqui, escrevendo merda para sempre, mas tenho que dormir e ir pra bosta do emprego amanhã;
E é isso que vou fazer.

Coisas mais sérias

Publico texto do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, publicado na Folha de São Paulo. Como tudo que já li dele (e não foram muitas coisas pois acho que ele está um pouco além da minha capacidade) achei muito bom e apropriado para o momento.


As dores do pós-neoliberalismo
Boaventura de Sousa Santos


Cento e oitenta quatro anos depois, o Brasil parece finalmente estar a passar do período da pós-independência para o período pós-colonial. A entrada neste último período dá-se pela constatação, discutida na esfera pública, de que o colonialismo, longe de ter terminado com a independência, continuou sob outras formas mas sempre em coerência com o seu princípio matricial: o racismo como uma forma de hierarquia social não intencional porque assente na desi- gualdade natural das raças.A construção dessa vontade política é um processo complexo mas tem a seu favor, não só um punhado de convenções internacionais, como também e, sobretudo, a força política dos movimentos sociais protagonizados pelas vítimas inconformadas da discriminação racial.
A viragem descolonial para ser eficaz, tem de ocorrer no Estado e na sociedade, no espaço público e no espaço privado, no trabalho e no lazer, na educação e na saúde. É, pois, um processo civilizatório, tão complexo quanto irreversível. A modernidade ocidental foi na sua origem, simultaneamente um processo europeu, dotado de mecanismos poderosos como a liberdade, igualdade, secularização, inovação científica, direito internacional e progresso, e um processo extra-europeu, dotado de mecanismos não menos poderosos como o colonialismo, racismo, genocídio, escravatura, destruição cultural, impunidade, não-ética da guerra. Um não existiria sem o outro. Por terem sido concedidas aos descendentes dos colonos europeus e não aos povos originários ou aos para aqui trazidos pela escravatura (com excepção do Haiti), as independências latino americanas legitimaram o novo poder por via dos mecanismos do processo europeu para poderem continuar a exercê-lo por via dos mecanismos do processo extra europeu. Assim se naturalizou um sistema de poder que, sem contradição aparente, afirma a liberdade e a igualdade e pratica a opressão e a desigualdade. Um sistema até hoje em vigor, ou seja, até à entrada no período pós-colonial. Assentes neste sistema de poder, os ideais republicanos da igualdade constituem uma hipocrisia sistêmica. Só quem pertence à raça dominante tem o direito (e a arrogância) de dizer que a raça não existe ou que a identidade étnica é uma invenção. Uma democracia hipócrita não chega sequer a ter o mérito da hipocrisia democratizada. O máximo de consciência possível desta democracia hipócrita é diluir a discriminação racial na discriminação social. Admite que os negros e os indígenas são discriminados porque são pobres para não ter de admitir que eles são pobres porque são negros e indígenas. É, pois, uma democracia de muito baixa intensidade.
A sua crise final começa no momento em que as vítimas da discriminação se organizam para lutar contra a ideologia que os declara ausentes e as práticas que os oprimem enquanto presenças desvalorizadas. São lutas por uma democracia de alta intensidade e por um republicanismo robusto. Distinguem-se dos seus antecessores por duas razões. Em primeiro lugar, assentam na luta simultânea pela igualdade e pelo reconhecimento da diferença. Reivindicam o direito de ser iguais quando a diferença os inferioriza e o direito de ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza. Em segundo lugar, apostam em soluções institucionais dentro e fora do Estado para que o reconhecimento dos dois princípios seja efectivo. Daí a luta pelos projectos de lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial. O alto valor democrático destes projectos de lei reside na ideia de que o reconhecimento da existência do racismo só é legítimo quando visa a eliminação do racismo. É o único antídoto eficaz contra os que têm o poder de desconhecer ou negar o racismo para o continuarem a praticar impunemente. Estes projectos de lei, se aprovados e aplicados, darão ao Brasil uma nova autoridade moral e um novo protagonismo político no plano internacional. Mas será, no plano interno, que os seus efeitos positivos mais se farão sentir: a construção de uma coesão social sem a enorme sombra do silêncio dos excluídos. Para que tal ocorra, os movimentos sociais não podem confiar demasiado na vontade dos governantes dado que eles são produtos do sistema de poder que naturalizou a discriminação racial. Para que eles sintam a vontade de se descolonizarem é necessário pressioná-los e mostrar-lhes que o seu futuro colonial tem os dias contados. Esta pressão não pode ser obra exclusiva do movimento negro e do movimento indígena. É necessário que o MST, os movimentos de direitos humanos, sindicais, feministas, ecológicos, etc., se juntem à luta no entendimento de que, no momento presente, a luta pelas cotas e pela igualdade racial condensa, de modo privilegiado, as contradições de que nascem todas as outras lutas em que estão envolvidos.
Fonte: Folha de S.Paulo

Gosto não se discute

Sim, eu gosto de Christina Aguilera, e essa letra mostra por quê. É uma musica de amor mas que pode ter mais de um sentido. É lirica, poética. Pelo menos eu penso assim...

"Now what to do?
my heart has been bruised
So sad but it's true
each beat reminds me of you

It hurts my soul, cause I can't let go
All these walls are caving in
I can't stop mysufferin'
I hate to show that I've lost control
Cause I,
I keep going right back
to the one thing
thatI need

I'm about to break,
I can't stop this ache
I 'm addicted to your allure, and I'm fiendin' for a cure
Every step I take
leads to one mistake
I keep going right back to the one thing that I need...

I can't mend this torn state
I'm in getting nothing in return, what did I do to deserve
The pain of this slow burn
And everywhere I turn,
I keep going right back to theone thing that I need
To walk away from"


Tradução

"E agora o que fazer
Meu coração foi ferido
É triste mas verdade
Cada batida me faz lembrar você

E doi na alma
Pois não posso esquecer
Todas essa paredes estão enfraquecendo
e não consigo parar de sofrer
odeio mostrar que perdi o controle
Pois continuo voltando exatamente
Para a coisa da qual preciso...

Estou a ponto de desmoronar
Não posso evitar esta dor
Eu estou viciada no seu encanto
E preciso de uma cura
Cada passo que dou
Me conduz para um erro
E continuo indo de encontro
à única coisa da qual preciso...

Eu não consigo curar, esse estado indeciso que estou
Não tendo nada em troca, o que eu fiz pra merecer
A dor dessa lenta queimadura
E pra todo lugar que me viro
continuo voltando para a unica coisa
da qual preciso
me afastar"

O que é direito? Não sei se sei...Você sabe?

Quem lê esse blog e não me conhece (isso é possível??) pode ter a impressão que sou de várias áreas profissionais: letras, história, psicologia... A verdade é que sou "adevogada". Verdade, tenho que admitir, escolhi como profissão essa "coisa" que não se sabe exatamente se é ciência, se é prática ou o quê. A única verdade é que ser advogado (e nesse termo incluo, a grosso modo, todos os bacharéis em direito) hoje é um desafio, pois certamente é uma profissão vista com maus olhos pelo público em geral. E convenhamos, nós damos argumentos para essa imagem ruim: advogados são retratados como interesseiros, obcecados pelo lucro que vivem da desgraça alheia, seres acriticos que enxergam na lei a verdade e o objetivo final de uma sociedade "civilizada". O pior é que passamos cinco, seis anos na faculdade e muitas vezes saimos formados sem a compreensão exata da existência de nossa profissão: perseguidores da justiça e dos direitos individuais e coletivos? Talvez na teoria...

Nos primeiros semestres de curso, os professores tentam explicar o que é direito. Talvez eu seja muito burra, talvez as explicações tenham sido confusas mas até hoje não sei se há um conceito: é a ciência da justiça? ferramenta para resolver litigios? instrumento de dominação da classe burguesa? Tudo isso e mais. E nada. O interessante é que não me lembro de alguma aula em que tenhamos criticamente analisado as origens das leis e seus propósitos, o que não contribui para que hajam operadores do direito e juristas críticos e questionadores. As leis são encaradas como sendo o próprio direito e por consequência são aceitas como parte da realidade, como fato dado. E não são, longe disso. O questionamento é uma faca de dois gumes: como aplicar a lei ao caso concreto (para seus clientes e partes do processo) se não a aceitamos, se a consideramos injusta? Convenhamos, é mais fácil não perguntar isso e aplicar a crua e fria letra legal.

Enfim, comecei esse artigo pois queria fugir da temática que tem dominado esse blog. Queria comentar uma entrevista que li recentemente na revista Caros Amigos de um delegado do Rio de Janeiro. Mas vou deixar para uma próxima postagem, por hoje cansei de escrever.

Nietzsche historiador??

"Todos os filósofos têm em comum este defeito de partir do homem atual e imaginar chegar à sua essência através da análise que fazem. Eles representam vagamente o "homem" sem querê-lo, como aeterna veritatis, como realidade estável, no turbilhão de tudo, como medida asssegurada das coisas. Mas tudo que o filósofo enuncia sobre o homem não passa no fundo de apenas um testemunho sobre o homem de um período de tempo muito limitado. A falta de sentido histórico é o pecado original de todos os filósofos; muitos, sem se dar conta, a bem dizer acabam por tomar pela forma estável, da qual é preciso partir, a última figuração do homem, tal como foi modelada pela influência de certas religiões, até de certos acontecimentos políticos. Eles não querem compreender que o homem é o resultado de um devir, que a faculdade de conhecer também o é; e daí que alguns dentre eles fazem até mesmo com que o mundo saia por inteiro dessa faculdade de conhecer."

Humano demasiado humano.

Desvaneios estúpidos

Se eu achasse uma lâmpada mágica e pudesse fazer um desejo, ficaria desatordoada pois tem várias coisas que gostaria de pedir: que minha mãe se recuperasse 100% do AVC, que eu conseguisse o emprego que sempre quis, que eu encontrasse o amor da minha vida com tudo que tenho direito, que em 10 segundos perdesse todos os quilos a mais e substituisse o corpo violão por um corpo estilo Madonna, que meu cabelo fosse liso, meus olhos maiores, que meu QI fosse muiiiiito maior e, se tivesse em um dia com uma inspiração altruísta (isso existe? altruísmo? Nietzsche diria que não) a paz mundial (muito Miss esse pedido). Mas tem dias que pediria para ser burra e gostosa.
Sim, eu gostaria as vezes de ser burrinha, pois assim a vida seria menos complicada. Eu perco muito tempo pensando bobagem: na vida, se ela tem um propósito, porque estou aqui, porque não consigo mudar coisas que detesto em minha existência, etc...Se eu fosse burrinha, me preocuparia com o básico: faculdade, emprego, festas, namorados, as vezes família...minha vida giraria em torno de mim, bem egocêntrico. De quebra, se fosse gostosa, teria preocupações maravilhosas como qual dos vários pretendentes iria escolher e qual roupa fabulosa iria escolher para acentuar meus atributos físicos ... Que maravilha!
Mas não existe lâmpada mágica e não dá pra mudar nada...aliás, li recentemente uma passagem em que o personagem dizia que é ilusão acharmos que podemos mudar de vida. O máximo que a gente faz é mudar alguns detalhes, alguns caminhos que surgem ao longo da vida. E mesmo isso é extremamente complicado...
Sei lá porque estou escrevendo isso. Não tem razão. Só porque não estou muito inspirada hoje mas quis dar uma atualizada no blog.

Poesia

A Vida Verdadeira

Pois aqui está a minha vida
Pronta para ser usada


Vida que não se guarda
nem se esquiva, assustada.
Vida sempre a serviço da vida
Para servir ao que vale a pena
e o preço do amor


Aindo que o gesto me doa,
não encolho a mão, avanço
levando um ramo de sol.
Mesmo enrolado de pó,
dentro de uma noite mais fria,
a vida que vai comigo
é fogo:
está sempre acesa.


Vem da terra dos barrancos
o jeito doce e violento
da minha vida: esse gosto
de água negra transparente.


A vida vai no meu peito,
mas é quem vai me levando:
tição ardente velando,
girassol na escuridão.


Carrego um grito que cresce
Cada vez mais na garganta,
cravando seu travo triste
na verdade do meu canto.


Canto molhado e barrento
de menino do Amazonas
que viu a vida crescer
nos centros da terra firme.
Que sabe a vinda da chuva
pelo estremecer dos verdes
e sabe ler os recados
que chegam na asa do vento.
Mas sabe também o tempo
da febre e o gosto da fome.


Nas águas da minha infância
perdi o medo entre os rebojos.
Por isso avanço cantando.


Estou no centro do rio,
estou no meio da praça.
Piso firme no meu chão,
sei que estou no meu lugar,
como a panela no fogo
e a estrela na escuridão.


O que passou não conta?, indagarão
as bocas desprovidas.


Não deixa de valer nunca.
O que passou ensina
com sua garra e seu mel.


Por isso é que agora vou assim
no meu caminho. Publicamente andando.


Não, não tenho caminho novo.
O que tenho de novo
é o jeito de caminhar.
Aprendi
(o caminho me ensinou)
a caminhar cantando
como convém
a mim
e aos que vão comigo.
Pois já não vou mais sozinho.


Aqui tenho a minha vida:
feita à imagem do menino
que continua varando
os campos gerais
e que reparte o seu canto
com o seu avô
repartia o cacau
e fazia da colheita
uma ilha de bom socorro


Feita à imagem do menino
mas à semelhança do homem:
com tudo que ele tem de primavera
de valente esperança e rebeldia.


Vida, casa encantada,
onde eu moro e mora em mim,
te quero assim verdadeira
cheirando a manga e jasmim.
Que me seja deslumbrada
como ternura de moça
rolando sobre o capim.


Vida, toalha limpa,
vida posta na mesa,
vida brasa vigilante
vida pedra e espuma,
alçapão de amapolas,
o sol dentro do mar,
estrume e rosa do amor:
a vida.

Há que merecê-la.



Thiago de Mello
Faz Escuro mas eu Canto.

Um pouco mais de bobagem

Reproduzo parte de um livro que li anos atrás e que copiei em um caderno de citações, que tirei do fundo do armário (literalmente) há alguns dias. O nome do livro é A dança e pode ser enquadrado no gênero auto-ajuda. Não concordo bem com isso, pois trata-se de uma narrativa de uma escritora que sobreviveu a um câncer e "mudou" de vida. Tá, parece auto-ajuda mesmo, naquele estilo "você pode mudar sua vida, é só querer"...mas o fato é que ela escreve muito bem e o livro tem passagens interessantes...
" Quando evitarmos o vazio, quando preenchermos a quietude com um excesso de atividades, frequentemente o que estamos tentando fazer é superar a crença, por vezes inconsciente, de que quem somos nunca será suficiente. As coisas a que tentamos nos agarrar - nosso trabalho, nossos relacionamentos, nossa reputação e ganhos - são aquelas que achamos que irão nos tornar merecedores da vida e do amor quando nos consideramos básica e inerentemente defeituosos. Quando conseguirmos simplesmente conviver com o medo de não sermos suficientes, e com a vastidão de que não nos conhecemos, descobrimos um vazio que não é uma deficiência nossa e sim a origem da plenitude de quem e do que somos. "
Tenho noção de que estou repetitiva...as leituras que tenho feito mostram isso (aliás, as leituras que fazemos invariavelmente mostram em que fase nos encontramos) e essa citação meio quebate de frente com as idéias de livros que citei em outras postagens. No fundo, eu continuo tentando ser positiva, com muita dificuldade, admito. Aliás, acho que devo começar a escrever sobre coisas mais sérias (cotas, politica, sei lá), mas não tenho tido ânimo...quem tiver a infelicidade de estar aqui lendo...bom...azar o seu, pare de ler, acho que esse espaço é mais para mim do que para qualquer outra pessoa.

Mais leituras

Pois bem, continuo na fase "leitura de livros geniais e deprimentes".
Depois de reler Memórias do Subsolo, passei a reler também Crime e Castigo e ontem, resolvi dar uma segunda chance ao romance de Albert Camus, O Estrangeiro. Há alguns anos , quando estava no cursinho, comecei a ter coragem de ler obras desafiadoras que pensava não ter capacidade para entender. Terei uma dívida eterna com o professor de literatura do mottola, que não se restringia a falar sobre as leituras obrigatórias da UFRGS e fazia, vez que outra, comparações de obras brasileiras (e constantes no edital do vestibular) com obras clássicas estrangeiras. Esse professor, inclusive, era aficcionado em literatura russa e sempre citava Dostoiévski. Enfim, criei coragem e fui ler autores como Tolstói, Goethe, Saramago e Gabriel Garcia Márquez.
Como nem tudo são flores, me dei mal ao tentar ler obras de James Joyce, Gogól e o já citado Camus. Quando iniciei O Estrangeiro, achei um saco, tedioso mesmo e parei logo no início. Porém, os anos se passaram e conversando com uma amiga na semana passada, fui persuadida a voltar à obra francesa e terei que agradecê-la, pois o livro é, na minha humilde opinião, sensacional. A prosa de Camus não é propriamente "fácil"; acredito que o termo "limpo" seria mais adequado para defini-la. De fato, a narração é tão direta e desprovida de floreios que chega a ser de certa forma sufocante e pode realmente levar ao tédio. Isso não deve impedir, entretanto, a continuidade na leitura, pois a complexidade de seu personagem principal é muito interessante.
Na mesma linha dos livros citados no início desse texto e em postagem anterior, O Estrangeiro trata de vários questionamentos dolorosos e incômodos e conta a história de um homem desligado do mundo, apático e indiferente a todos os acontecimentos (ou seja, um estrangeiro, numa acepção completamente nova da palavra), para quem a morte não representa senão o fim de uma existência completamente enfadonha. O questionamento da moral vigente está nitidamente presente, bem como as relações entre sociedade e religião, homem e Deus. O personagem Mersault parece negar toda a "normalidade" e os valores e comportamentos exigidos de pessoas "saudáveis e felizes". O que ele rejeita não é propriamente a vida mas sobretudo o absurdo da inexplicabilidade da nossa existência.
Enfim, eu sou muito limitada no que concerne à análises literárias, eu simplesmente gosto ou não de um livro. Fica a sugestão.
"Ao contrário do que em geral se pensa, tomar uma decisão é uma das decisões mais fáceis deste mundo, como cabalmente se demonstra pelo fato de não fazermos mais nada que multiplicá-las ao longo de todo o santíssimo dia..."

José Saramago
O homem duplicado