Para divagar

Nada de texto hoje...só alguns dos meus poemas preferidos do Mario Quintana, um dos únicos poetas que gosto de verdade e que prova que simplicidade pode ser uma virtude.

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"


DA ETERNA PROCURA

Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada...
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.


OS INTOCÁVEIS

A ironia atinge apenas a inteligência. Inútil desperdiçá-la com os que estão longe do seu alcance. Contra estes, ainda não se conseguiu inventar nenhuma arma. A burrice é invencível.


BILHETE

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,enfim,tem de ser bem devagarinho,
Amada,que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda...

DA SOLIDÃO

O problema da solidão não consiste em saber como solucioná-la, mas em saber como conservá-la.

A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR

"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"


"Desconfia dos que não fumam: esses não tem vida interior,não tem sentimentos.
O cigarro é uma maneira disfarçada de suspirar."

"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer. "

"Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem. "

"Eu agora- que desfecho!
Ja nem penso mais em ti,
mas sera que nunca deixo
de lembrar que te esqueci?"

"Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo!
Eu creio em Deus! Deus é um absurdo!
Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco? - Não, sou poeta. "

Dessa vez, o assunto é sério (leiam até o final)

Depois de ter escrito o post abaixo, falando sobre viagens à Europa, fiquei com a consciência pesada (ouvia, no fundo da minha mente, a Laura dizendo "ah, pena que eu não era amiga da Patrícia quando ela era burguesa" ou "momento me achei") e decidi escrever sobre algo mais sério.
No semestre passado, o professor de História da América III estabeleceu que a segunda avaliação seria um trabalho em grupo, cujos tópicos seriam escolhidos por nós. Eu, a Lurdinha, Tati e Guilherme optamos por trabalhar com os impactos da globalização na América Latina, escolhendo o movimento mexicano do Exército Zapatista de Libertação Nacional. O EZLN não aparece tanto na mídia quanto as Farc, o Sendero Luminoso ou até o MST, mas muitos conhecem o seu famoso porta-voz, sub-comandante Marcos. Ele é a voz do movimento - literalmente -pois sempre aparece com um daqueles gorros que cobre a face, deixando só os olhos de fora. Todos no movimento utilizam isso, pois acima dos indivíduos está a causa, que é melhoria de vida para o povo mexicano.
Durante a elaboração do trabalho, fizemos muita pesquisa. O Guilherme achou muita coisa, e gostou tanto do assunto que vai fazer o TCC dele sobre isso. E o assunto realmente é fascinante. O EZLN é fascinante por várias razões: o sub-comandante Marcos é praticamente um poeta, todas as declarações de Selva Lacandona foram divulgadas com ele como porta-voz. Ao estudar, cada vez mais, vinha aquela vontade de pegar e se juntar ao movimento, lutar contra as injustiças do mundo! Parece ridiculo, mas deu vontade mesmo, porque indigna muito ver o descaso que o México (assim como todos paises latino-americanos) tem com suas minorias, em especial os indígenas. O racismo, o preconceito, o abandono e a marginalização dessa grande camada da população não difere muito do que vemos aqui, por exemplo, com os indígenas, com os afro-descendentes, com os miscigenados, etc. Esquecidos, considerados refugo humano, nas palvras do Baumann, só são lembrados quando invadem uma fazenda, cometem um crime, bloqueiam uma estrada...Aí aparecem no noticiario, como vândalos marginais. E só assim mesmo para aparecer. Nossos Estados nesse continente só lembram dessa galera nesses momentos e, claro, quando fazem política de "segurança pública", porque cadeia é a resposta pra esse refugo que não tem lugar no mundo globalizado e neoliberal.
Tá, to escrevendo demais, assunto sério, não é tão divertido como ler sobre Paris ou coisas amenas. Então, abaixo coloco a Primeira Declaração de Selva Lacandona (que fica em Chiapas, região sul do México), quando surgiu o movimento em 1994:


Primeira Declaração da Selva Lacandona

HOJE DECIDIMOS. BASTA!

Janeiro de 1994

Ao povo do México
IRMÃOS MEXICANOS

Somos produto de 5000 anos de lutas: primeiro contra a escravidão, na guerra de Independência contra a Espanha encabeçada pelos insurgentes; depois para evitar sermos absorvidos pelo expansionismo norte-americano; em seguida, para promulgar nossa Constituição e expulsar o Império Francês de nosso solo; depois, a ditadura porfirista nos negou a aplicação justa das leis de Reforma e o povo se rebelou criando seus próprios líderes, assim surgiram Villa e Zapata, homens pobres como nós, e quem se negou a preparação mais elementar, para assim utilizar-nos como bucha de canhão e saquear as riquezas de nossa pátria, sem importar que não tenhamos nada, absolutamente nada, nem um teto digno, nem terra, nem trabalho, nem saúde, nem alimentação, nem educação, ser ter direito de eleger livre e democraticamente nossas autoridades, sem independência dos estrangeiros, sem paz nem justiça para nós e nossos filhos.

Porém, nós hoje dizemos BASTA!, somos os herdeiros dos verdadeiros forjadores de nossa nacionalidade, os despossuídos, somos milhões e chamamos a todos nossos irmãos para que se jsomem a este chamado como o único caminho para não morrer de fome ante a ambição insaciável de uma ditadura de mais de 70 anos, encabeçada por uma camarilha de traidores que representam os grupos mais conservadores e vende-pátrias. São os mesmos que se opuseram a Hidalgo e Morelos, os que trairam Vicente Guerrero, são os mesmos que venderam mais de da metade do nosso solo ao invasor estrangeiro, são os mesmos que trouxeram um príncipe europeu para nos governar, são os mesmos que formaram a ditadura dos científicos porfiristas, saõ os mesmos que se opuseram à expropriação petroleira, são os mesmos que massacraram os trabalhadores ferroviários em 1958 e aos estudantes em 1968, são os mesmos que hoje nos tiram tudo, absolutamente tudo.

Para evitá-los, e como nossa última esperança, depois de ter tentado tudo para pôr em prática a legalidade baseada em nossa Carta Magna, recorremos a ela, nossa Constituição, para aplicar o Artigo 39 que diz: "A soberania nacional reside essencial e originalmente no povo. Todo poder público emana do povo e se institui em benefício dele. O povo tem, todo o tempo, o inalienável direito de alterar ou modificar a forma de seu governo."

Portanto, de acordo com nossa Constituição, emitimos a presente declaração de guerra ao exército federal mexicano, pilar básico da ditadura que padecemos, monopolizada pelo partido no poder e encabeçada pelo executivo federal que hoje tem Carlos Salinas de Gortari como seuchefe máximo e ilegítimo.

Em conformidade com esta declaração de guerra, pedimos aos outros poderes da nação que restaurem a legalidade e a estabilidade da Nação, depondo o ditador.

Também pedimos aos organismos internacionais e a Cruz Vermelha Internacional que vigiem e regulem os combates que nossas forças travam, protegendo a população civil, pois nós declaramos, agora e sempre, que estamos sujeitos ao estipulado pelas Leis sobre a Guerra da Convenção de Genebra, constituindo o EZLN como força beligerante de nossa luta de libertação. Temos o povo mexicano do nosso lado, temos Pátria e a bandeira tricolor é amada e respeitada pelos combatentes insurgentes; utilizamos as cores vermelho e negro em nosso uniforme, símbolos do povo trabalhador em suas lutas de greve; nossa bandeira leva as letras EZLN, de Exército Zapatista de Libertação Nacional, e com ela iremos aos combates sempre.

Rechaçamos de antemão qualquer intento de desvirtuar a justa causa de nossa luta, acusando-a de narcotráfico, narcoguerrilha, bandidagem ou outro qualificativo que possam usar nossos inimigos. Nossa luta se apega ao direito constitucional e é motivada pela justiça e pela igualdade.
Portanto, e conforme esta declaração de guerra, damos às forças militares do EZLN, as seguintes ordens:

Primeiro: Avançar em direção à capital do país, vencendo o exército mexicano, protegendo em seu avanço libertador a populção civil e permitindo aos povos libertados eleger, livre e democraticamente, suas próprias autoridades administrativas.

Segundo: Respeitar a vida dos prisioneiros e entregar os feridos à Cruz Vermelha Internacional.

Terceiro: Iniciar julgamentos sumários de soldados do exército federal mexicano e da polícia política que tenham recebido curso e que tenham sido assessorados, treinados ou pagos por estrangeiros, seja dentro de nossa nação ou fora dela, acusados de traição à Pátria, e de todos aqueles que roubem ou atentem contra os bens do povo.

Quarto: Formar novas filas com todos aqueles mexicanos que manifestem somar-se à nossa justa luta, incluindo aqueles que, sendo soldados inimigos, se entreguem às nossas forças sem combater e jurem responder às ordens deste Comando Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Quinto: Pedir a rendição incondicional dos quartéis inimigos antes de travar os combates.

Sexto: Suspender o saque de nossas riquezas naturias nos lugares controlados pelo EZLN.

Povo do México: Nòs, homens e mulheres íntegros e livres, estamos conscientes de que a guerra que declaramos é uma medida extrema, porém justa. Os ditadores estão aplicando há muitos anos uma guerra genocida não declarada contra nossos povos. Por isso pedimos sua participação decidida, apoiando este plano do povo mexicano que luta por trabalho, terrateto, alimentação, saúde, educação, independência, liberdade, democracia, justiça e paz. Declaramos a intenção de não deixar de lutar até conseguirmos o cumprimento destas demandas básicas de nosso povo, formando um governo livre e democrátio em nosso país

INTEGRE-SE ÀS FORÇAS INSURGENTES DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL
Comando Geral do EZLN

Nostalgia Burguesa.

Desde a semana passada tem feito frio aqui em Porto Alegre. Além do frio, tivemos um ciclone nos visitando, o que foi uma experiência nada agradável que deixou um rastro de destruição na cidade. Isso que nem foi um "Katrina" da vida, mas mostra que não estamos preparados para catástrofes naturais, já que acreditamos piamente que o Brasil é o país abençoado, sem nada de ruim (terremotos, vulcões, furacões, tornados, etc). AHAM, dá pra ver.

Enfim, nessas horas bate uma nostalgia. Penso como tive sorte de ter tido o privilégio de conhecer algumas das cidades mais lindas do mundo. E penso nisso porque aquelas que eu considero algumas das mais lindas do mundo estão situadas nas linhas temperadas do globo, e, consequentemente, tem um inverno bem rigoroso.

Assim, esse post de hoje pode ser enquadrado em um marcador "nostalgia de tempos burgueses da Paty, quando ela não era pobre, não tinha que vender tudo pra pagar as dívidas da mãe e quando pra comprar alguma coisa não enquadrada no conceito de primeira necessidade, não tinha que recorrer ao cartão de crédito por falta de dinheiro vivo ( o que gera novas dívidas)". Quem não quiser compartilhar desse momento nada proletário, pare de ler aqui.

Com exceção de Buenos Aires, que eu fui no inicio desse ano, a maioria dos lugares que conheci deixaram aquela sensação de "faltou alguma coisa". Na real, faltou muita coisa. Eu tinha 15 anos (meu Deus! 15!!!!!!parece ontem, faz dez anos! buaaaaa) então não pude fazer muiiita coisa que faria hoje! Imagina, não enchi a cara de vinho na Itália! Não pude beber uma cerveja inglesa em um pub e voltar cambaleando para o hotel, de preferência com um "british man". Não conheci o Museu Britânico. Em Paris, não sentei em um café daqueles típicos franceses, para tomar um café e fumar um cigarro, a moda Simone de Bouvoir e Sartre! Sequer entrei em livrarias parisienses, embora lembre ter passado por uma que era em frente ao Sena e era um mimo, em uma casa antiga, bem aquele tipo de construção que a gente imagina ter na capital do amor (dizem que é, eu não tive ou vi amor lá...). Na Itália, não entrei no Coliseu, só tirei foto do lado de fora, porque a excursão tinha tempo exíguo para cada lugar.







Quando a gente começa a pensar em tudo que podia ter feito, todos os lugares que podia ter conhecido, qualquer viagem fica incompleta...



Falando em livraria, já fui duas vezes em Buenos Aires e não visitei a Livraria Atheneo! Que raiva, não deu tempo e pior, acabei passando a tarde em um shopping ao invés de conhecer aquele templo dos livros! Talvez pro meu bolso tenha sido melhor, não sei se conseguiria controlar meu ímpeto consumista que fica atiçado em livrarias. Sem falar na manifestação das Mães da Praça de Maio, que perdemos porque, como historiadores toscos, não lembramos de ver antes de viajar que dia era a passeata. Chegamos na quinta, sem saber, fomos embora na outra quinta, já sabendo mas sem possibilidade de ir porque estávamos indo embora! Que raiva!

Enfim, que vontade de viajar. Conhecer Buenos Aires no inverno...Ver a neve caindo às margens do Tâmisa...Penso, imagino, e....putz, tá na hora de sair do transe, fechar a internet, e voltar a vida real, pegar o ônibus pra ir pra faculdade, contar as moedas pra comprar pão de manhã, esperar receber o salário na quinta e na sexta, já não ter mais nada depois de ter pago as contas, tentar ir no médico curar a porra da dor no ciático e dar de cara com o lugar fechado porque o atendimento pro SUS é só até as 18 horas, tudo isso em uma cidade que faz frio, mas que não fica charmosa com ele.

Momento bairrista

Eu sou Gremista. E anti-colorada. Tem pessoas que conseguem apenas ser torcedores de seus times, mas eu não, eu odeio o Inter (não na mesma intensidade que amo o Grêmio porque aí seria demais).
Portanto, hoje não é um bom dia para mim. Além de estar experimentando as crueldades do tempo (DNA - data de nascimento avançada), que me faz sentir desde sexta dores no ciático, ontem o Inter tirou uma toca de muito tempo e ganhou o Campeonato Gaúcho. A raiva só não foi maior por causa da dor que sinto desde sexta.
Porém, existe uma coisa que me emputece mais do que ter que aguentar flauta de colorado: é assistir noticiarios esportivos do centro do país. Porra, acabei de voltar de casa e, enquanto almoçava, assistia ao Globo Esporte. Já estava na segunda parte, a qual teoricamente, é nacional, já que a primeira parte contém as noticias esportivas locais. Então a lógica é qual? Que a parte do programa que é nacional, vai falar de todos os times, em especial dos que ganharam ontem seus regionais. Mas não funciona assim, nunca funcionou e eu, surpreendentemente, ainda me irrito com isso.
Falando sério, o Inter tava em desvantagem, tinha que ganhar pois o empate beneficiava o Juventude, foi lá, fez 8 a 1 em um time que é toca histórica deles (eu achei muito estranho isso, o Ju ter ganho todos os jogos desse gauchão e chegar no último e levar uma goleada assim, mas deixa pra lá) ganhou o campeonato (que não ganhava há tempos, diga-se de passagem) e mesmo assim, ocupou um espaço igual a de outros campeões regionais. Até aí tudo bem, se o programa é nacional, como disse, o campeão alagoano, o gaúcho, o mineiro, paulista, etc, tem que ter o mesmo espaço. Mas não é assim. E o Palmeiras e Flamengo ganharam um quadro inteiro só para eles! Foda-se que o Inter ganhou de goleada, foda-se que o Cruzeiro ganhou o segundo jogo mesmo tendo goleado no primeiro clássico, foda-se que o Coritiba ganhou fora de casa do Atletico apenas alguns meses após a conquista da segundona...Nada é tão importante quando os campeões paulista e carioca!
Que raiva que dá! Nessas horas, eu deixo de ser gremista e passo a ser gaúcha mesmo. Esse tipo de coisa me faz lembrar quando o Grêmio dos tempos áureos do Felipão ganhava tudo: foi campeão da Libertadores em 95, campeão brasileiro em 96 e tri da copa do Brasil em 97. Por alguns meses, o Grêmio era campeão dos dois principais campeonatos do país! Mas isso não era suficiente para que a imprensa do centro do país desse uma atenção igual (vejam, igual, não maior) do que dos times de SP e RJ. Não há nada suficiente para que times de fora do "centro" ocupem espaços iguais, não adianta Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atletico-MG, Cortiba, Atletico-PR, virem a ser campeões mundiais, ainda vai ter mais notícia da cãimbra que o jogador do São Paulo sentiu do que da conquista de qualquer titulo.
Não tem como não ser bairrista nessas horas, por mais tosco que possa parecer. Depois não entendiam porque o país inteiro, com exceção dos proprios torcedores, queriam que o Corinthians caisse. Que caiam todos, que se exploda Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Fluminense e todos times "grandes" do centro do país.
Aos meus críticos: viram como sou capaz de pensar e argumentar racionalmente questões futebolísticas? Pessoalmente é muito melhor que não seja noticiado nada do Inter, mas pra mim a questão é muito mais ampla e todos acabamos sofrendo com essa merda de privilégio concedido à paulistas e cariocas. Nessas horas, temos que nos unir! ( mas só nessas horas).

Sabedoria popular no Boteco Natalicio!

Quarta a noite fui com quatro das amigas que mais amo nessa vida a um boteco muiiito legal aqui em POA. Além de ter quitutes pra lá de gostosos e um chope muito bom (porém caro), o toque do lugar está nas diversas placas e quadros com frases de sabedoria popular, tipo aquelas que a gente vê em caminhão. Era uma melhor que a outra.

Resolvi postar as que eu lembrei, mas tinha muito mais. Recomendo a quem puder, que vá tomar um chopinho e coma um escondidinho no Boteco Natalício. Onde? Na Cidade Baixa, é claro!

"Most people eat to live. I live to eat" (Tradução: A maioria das pessoas come para viver. Eu vivo para comer)

"Onde quer que você esteja, você sempre estará lá"

"Queria ser pobre um dia na vida, porque todos os dias é foda"

"Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a sofrer em Paris"

"Roubar idéias de uma pessoa é plágio. De várias, é pesquisa"

"Dinheiro não é tudo. Também tem cartão de crédito, cheque..." (LEMA DA MINHA VIDA)

"Chefe é como nuvem, quando sai, o dia fica lindo"

"Mini-saia é como arame farpado: protege a propriedade, mas não tira a visão"

E a melhor de todas:




Bem que podia ser verdade né?

Lombroso e o Darwinismo Social Vivem!

Sabem aquela frase típica "vou morrer e não vou ver tudo"? Infelizmente é verdade.


Digo infelizmente, porque a gente só lembra dessa frase quando ouve coisas absurdas, tipo a recente noticia sobre a "obra" do "artista" crítico da humanidade e da contemporaneidade que "usou" um cachorro de rua para mostrar a hipocrisia humana, deixando-o morrer de inanição durante uma exposição, bienal, qualquer que seja a merda.


Enfim, hoje recebi dois emails de uma amiga, um com uma noticia e outro com uma postagem de um blog, seguido de vários comentários. O que os dois tem em comum? Demonstram que Lombroso e suas idéia não estão ultrapassados. A idéia disseminada, que se inseriu na consciência coletiva (se é que ela existe) é aquela segundo a qual o bandido, o marginal, é um ser diferente, doente, moralmente degenerado. E se existem pessoas "normais", deve haver uma explicação, um ponto de origem para esses "anormais" não é? Porque se eles não seguem o curso normal de um ser humano, então há algo errado com eles! Claro!!!


O médico italiano Cesare Lombroso, autor do livro L’ uomo delinqüente, de 1876 (sim, século dezenove), acreditava que o delito era um ente natural, sendo explicado por fatores biológicos e até mesmo hereditários. Para confirmar sua hipótese de que o criminoso era um ser que não segue a evolução normal da espécie humana, realizou inúmeras pesquisas com o intuito de procurar semelhanças antropométricas entre os delinqüentes. A criminologia positiva, que tem Lombroso como expoente, se assentava em três pilares: o crime é um fenômeno natural; o estudo do crime deve ser realizado através do mesmo processo de conhecimento usado para as ciências naturais e pela observação e pesquisa dos criminosos, assim identificados oficialmente, é possível desvendar as causas do crime e extirpá-los da sociedade.


Muita coisa foi feita depois disso. Correntes criminológicas de cunho sociológico foram desenvolvidas já no início do século XX, e caras como Edwin Sutherland pararam pra pensar "peraí! como é que a gente explica a existência de crimes cometidos por pessoas bem sucedidas, pessoas, teoricamente "de bem", os famosos "bons cidadãos" (aqueles atingidos pela violência, aqueles que não podem ter o direito de ter sua arma pra se defender, que sao atingidos por leis absurdas como a do desarmamento, aqueles que não são defendidos pelos direitos humanos, que é sinônimo de direito de bandido)"? Os estudos acerca dos crimes de colarinho branco desse sociólogo americano foram realizados nas décadas de 30 e 40. Muita coisa foi feita depois. E ainda sim, permanece a idéia do crime como doença, do criminoso como um degenerado, diferente do resto normal da sociedade.


Enfim, posto abaixo a noticia das descobertas maravilhosas desse brilhante médico moderno, que apesar de não estar falando sobre crime e criminosos, aposta na idéia lombrosiana e do darwinismo social de que existem "raças inferiores". Sugiro que acessem esse endereço também e dêem uma lida na postagem e nos comentários:http://fabianponzi.webnode.com/news/a-revolta-de-quem-virou-estatistica/discussioncbm_20718/30/.

Professor atribui baixa nota do Enade ao "QI dos baianos"


Fabiane Madeira

Direto de Salvador


O professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Natalino Manta Dantas, atribui ao "baixo QI dos baianos" a nota 2 obtida pelo curso no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). O reitor da universidade convocou o diretor da Faculdade de Medicina para uma reunião e deverá se manifestar hoje à tarde.
"Há uma inferioridade dos alunos baianos em relação aos outros. A prova foi uma mostra disso", disse Dantas, em entrevista à rádio Band News. Para o professor, "o baiano é uma pessoa igual a qualquer outra, mas talvez tenha déficit em relação a outras populações. Não temos aquele desenvolvimento que poderíamos ter. Se comparados com os estados do Sul, vemos que a imigração japonesa, italiana e alemã foram excelentes para o país. Aqui ficamos estagnados"(GZUZ). Dantas é baiano e formando na própria UFBA na década de 60.
O professor disse ainda que o sistema de cotas para afro-descendentes pode ter contribuído para o mau desempenho. "A prova foi feita com alunos do primeiro semestre e do último semestre. Pode estar havendo uma contaminação das cotas (!!) e influência da transformação curricular nesse resultado".
Ainda na entrevista, Dantas afirmou que a tradicional percussão do Olodum é um "barulho" e que um dos símbolos da Bahia, o berimbau, é um instrumento para pessoas pouco inteligentes. "O berimbau é o tipo de instrumento para o indivíduo que tem poucos neurônios. Ele tem uma corda só e não precisa de muitas combinações musicais", disse.
Procurado pela rádio, o reitor da UFBA, Naomar de Almeida Filho, classificou as declarações de Dantas como "racistas e ignorantes". O reitor convocou o diretor da Faculdade de Medicina, José Tavares Carneiro Neto, para uma reunião de emergência na qual deverá pedir providências em relação à postura de Dantas. O reitor, que é favorável às cotas, deve se manifestar à tarde.
O curso de medicina da UFBA será supervisionado pelo MEC, junto com outras 16 instituições que obtiveram notas baixas nas avaliações federais. A faculdade de Medicina da UFBA foi a primeira instalada no País e completou 200 anos recentemente. Entre os formados pela instituição está o falecido senador Antônio Carlos Magalhães.


Cerveja!!!

Hoje é vespera de feriado. Nesse clima de "amanhã não tem trabalho, faculdade, dá pra dormir até tarde", resolvi postar o endereço de comentários sobre diferentes marcas de cerveja feitos em um blog muito legal chamado Pudim de Beterraba. Recomendo que acessem http://pudimdebeterraba.blogspot.com/search?updated-max=2008-03-29T15%3A57%3A00-03%3A00&max-results=10, nessa página, além desse post da cerveja, tem outros, como o dos mapas diferentes do Brasil.

Com relação ao post específico da cerveja, achei legal e quando der, farei o mesmo teste. Mas a princípio, concordo com as análises feitas, com exceção da Polar, que pra mim, é a melhor (não sei até que ponto o fator bairrista influi, mas eu gosto muito do sabor).

Aliás, isso é interessante. Eu nao gostava de cerveja, achava horrivel, gosto ruim, amargo. Não me lembro bem quando comecei a gostar, mas foi que nem chimarrão, tu sabe que aquilo não é muito bom (momento eufemismo, porque é ruim e pronto) mas faz parte da cultura, todo mundo toma, tem um ritual que envolve a degustação, e com o tempo, a gente se acostuma e passa a gostar. No meu caso, eu passei do "não- gostar", para o "gostar" para o "não vivo sem". Aliás, hoje o dia pede uma cervejinha!

Divagando um pouco nessa manhã chuvosa.

Chove em Porto Alegre. Ótimo maneira de iniciar a semana. Horário de almoço, a chuva fez com que optasse ficar no escritório. Sem nada para fazer, fico pensando, pensando e pensando. E passo aqui para despejar meus pensamentos idiotas.
Certas coisas são interessantes.
Penso na facilidade que a gente tem de enxergar claramente os problemas alheios. Quando não é com a gente, parece tão fácil visualizar e apontar problemas e soluções.
Quanto enxergamos uma situação externa a nós, por exemplo, quando um amigo (a) está namorando e não sai mais sem o anexo, fica muito fácil dizer "ah, fulana não faz mais nada sozinha, parece que nasceram grudados". O problema é quando nós estamos na mesma situação e acabamos por tomar as mesmas atitudes. Convenhamos: quando é com a gente, o buraco é mais embaixo, temos a capacidade incrivel de justificar a tal atitude de maneira que não possa ser igualada a da outra pessoa. Como pode existir tanta contradição, penso eu? Porque é mais fácil ver e julgar as atitudes alheias do que as nossas, dãããã né!
Tão simples e tão complexo isso. Ainda mais nesses casos de relacionamento. Só quem foi "abandonado" por um amigo que começou a namorar sabe isso é uma merda. E a gente promete "eu não vou fazer isso, nunca". E nunca é uma palavra utópica, porque não temos como saber como nossas vidas irão se desenrolar. Até podemos tentar não cair na armadilha, mas a minha experiência como observadora (experiência cômoda, eu admito) demonstra que em pequenas atitudes, as pessoas sempre privilegiam os relacionamentos amorosos em detrimento de outros. É uma regra da vida, diria eu, a qual todos estamos expostos.
Enfim, esse exemplo dado acima é só um. Eu ouço amigas e amigos contarem suas peripécias, seus conflitos, e vejo tão claramente as soluções e as origens dos mesmos. E as vezes questiono: "poxa, porque beltrano nao consegue se livrar desse sentimento, ou parar de fazer tal coisa, que o prejudica tanto?" Sim, mas eu consigo fazer isso? Eu consigo me livrar dos sentimentos incômodos que eu tenho, eu consigo tomar atitudes frente à acontecimentos da minha vida, eu consigo sempre mudar o que me incomoda? ÓBVIO que não. O máximo que faço é me dar conta disso, o que, diz a sabedoria popular, é um começo. Um começo sem fim, na maioria das vezes, que nem dieta.
Então o que nos resta, é tentar se estressar menos. As coisas são como são, cada um tem seus problemas e resolve (ou não) do jeito que quiser. Eu sempre fui a conselheira, aquela a que todos procuram pra desabafar e pedir conselhos. Talvez por isso esteja tão acostumada a formar opiniões acerca da vida alheia. E isso vai ter que parar, por mais que seja um fato incontroverso que enxerguemos mais claramente as coisas na condição de agentes externos. O máximo que podemos fazer é exteriorizar nossa opinião de "agente neutro" e a pessoa que faça o que quiser com aquilo. E quando estivermos no lado "ouvinte", utilizemos a mesma lógica.
Mas, pra mim é fato: as vezes nós somos muito hipócritas.

Idéias para uma sociedade melhor

Toda essa história do caso Isabella me fez lembrar de um artigo escrito pelo meu professor e orientador de TCC na faculdade, na qual ele ridiculariza muito do "senso comum" gerado por casos chocantes como esse da menina. Então, publico aqui algo que foi escrito em 2004 mas que se repete de tempos em tempos na nossa imprensa (e tb na sociedade).


Morte ao pessoal dos direitos humanos!


Andrei Zenkner Schmidt


PORTO ALEGRE - Também a mim causou indignação o crime praticado pelo caseiro de Brasília contra a universitária Maria Cláudia Del’lsola, de apenas 19 anos de idade, no último dia 9 de dezembro. Não podemos permanecer inertes diante de tamanha atrocidade. Diante disso, seguem, abaixo, algumas soluções que entendo corretas para, quem sabe, uma futura alteração na legislação penal brasileira:

a) a prática de crime de homicídio qualificado, independentemente de trânsito em julgado, deve obrigar o réu a responder a todo processo na prisão, sem direito à visita de advogado, parentes e amigos. Ademais, não deveria haver a possibilidade de tomar sol durante o dia inteiro.


b) A confissão obtida, ainda que na esfera policial, em crimes de homicídio, autorizaria o juiz a um julgamento antecipado da lide, na medida em que não há razão para delongas processuais: se o réu é confesso, por que perdermos tempo com um processo que irá resultar, impreterivelmente, em condenação?

c) Nos crimes hediondos contra a vida, o evento morte, uma vez tendo repercussão nacional, deve sujeitar o criminoso à pena de capital. Trata-se do respeito a uma garantia fundamental: olho por olho, dente por dente. Alguém conhece algo mais preciso e exato que isso?

d) A execução da pena de morte deve ser feita em praça pública. No caso de crime praticado no Distrito Federal, a cerimônia deverá ocorrer na Praça dos Três Poderes, a fim de representar que o Estado, uma vez lesado, reage à altura do criminoso. Nos Estados, a execução deve ocorrer em frente ao prédio do Poder Executivo, devendo estar presentes um representante de cada um dos poderes, bem como do Ministério Público.

e) A execução deve ser mediante o uso de chicote, devendo ser desferidas tantas chibatadas quantas sejam necessárias para a morte do condenado. Se o condenado não se arrepender do crime, as chicotadas deverão ser desferidas pelos ascendentes ou descendentes da vítima. Caso tenha sido manifestado formalmente o arrependimento, ser-lhe-á assegurado o direito de ser executado por um representante da sociedade.

f) As despesas oriundas da execução deverão ser arcadas pelo condenado. Caso ele não tenha condições financeiras para tanto, deverá ser compelido a trabalhos forçados na prisão, enquanto aguarda a sua execução. Na hipótese de haver recusa peremptória para o labor, as despesas serão arcadas pelo pessoal dos direitos humanos.

g) A cerimônia de execução denominar-se-á “Cerimônia de Restabelecimento da Paz Pública”. Após o seu encerramento, o corpo do executado será cerrado em partes, sendo a cabeça enviada para os parentes da vítima. No caso de pluralidade de vítimas, os parentes de cada uma delas realizarão sorteio para decidir a titularidade de cada resto mortal. Os parentes do condenado, por sua vez, receberão exemplares da Bíblia Sagrada.

h) A cerimônia de execução deverá ser filmada e veiculada, obrigatoriamente, nos principais programas de auditório da TV nacional. Após uma semana, a edição, com os melhor momentos, deverá ser transmitida no programa Linha Direita, da TV Globo.

i) O Governo Federal deverá efetuar estudos objetivando a instalação de pulseiras magnéticas, capazes de propiciarem localização por satélite, em todos os potenciais delinqüentes, independentemente de já terem sido condenados por delitos anteriores.

j) Deverão ser terminantemente proibidos todos os movimentos de divulgação e respeito de direitos humanos, tendo em vista o caráter nocivo à soberania nacional representado por tais ideologias comunistas. Ademais, é irrestritamente proibida a criação de ONGs com a mesma temática. Quanto às ONGs já existentes, deverão ser extintas, até mesmo porque não há direito adquirido em detrimento do interesse social.

k) O Congresso Nacional deverá nomear comissão tendente ao desenvolvimento de estudos para a formulação de proposta de emenda constitucional objetivando revogar os direitos enunciados nos incisos XXXIX (princípio da legalidade penal), XL (irretroatividade da lei penal), XLVII (proibição de penas de morte, perpétua e cruéis), XLIX (dignidade da pessoa humana do preso) e LVII (presunção de inocência) do art. 5º da Constituição Federal. Além disso, deverão ser realizados estudos tendentes à modificação do Código Penal, a fim de assegurar a exclusão da ilicitude do crime de tortura sempre que o ato seja praticado objetivando a obtenção de confissão em inquérito ou ação penal. Farão parte dessas comissões, além de representantes da sociedade, juristas de renome, tais como Hebe Camargo, Adriane Galisteu, Faustão, Leão e Ratinho.

l) Tais medidas não são aplicáveis ao homem médio, à mulher honesta, ao bom pai de família e, de uma maneira geral, aos representantes da boa sociedade brasileira.


Que Deus esteja conosco!

Aporias do dia

  • Qual dos dois? O homem é apenas o erro de Deus ou Deus o erro do homem?
  • Que tédio! É sempre a mesma história! Uma vez concluída a casa que se construiu, constata-se que aprendemos durante o trabalho, sem ter consciência, algo que deveríamos saber antes mesmo de começar. Eterno e desesperador "tarde demais" - melancolia dos empreendimentos concluídos...
  • Basta, continuo a viver; e a vida, pelo menos, não foi inventada pela moral; ela deseja a ilusão, ela vive de ilusão...mas eis-me aqui de novo, não é mesmo? a recomeçar e a fazer o que sempre fiz, imoralista e impertinente caçador de pássaros - a falar contra a moral, fora da moral, "além do bem e do mal".
Friedrich Nietzsche - o cara
Cada vez mais eu me encanto com a obra desse cara. Ele consegue botar o dedo na ferida da civilização e do homem ocidental e, ao mesmo tempo, é capaz de produzir questionamentos belos e profundos...Ele certamente era pessimista frente ao mundo, mas a leitura que fazemos de sua obra é o que define nossa visão acerca do seu legado (que profundo não?).

Assunto batido

A vontade de postar essa capa da Veja foi grande. A vontade de comentar sobre o assunto não é proporcional. Muito se fala sobre o caso Isabella. O que eu penso e defendo já foi dito por diversas pessoas. Mas essa capa é um atentado, chega a dar vergonha da liberdade de imprensa, que tem que existir, que é uma conquista após anos de censura, mas que tem que se manter ética e mais, dentro da legalidade.

Na minha opinião, isso é uma violação aquele princípio que está naquele livrinho...como é o nome mesmo?? Ah, sim, a Constituição Federal! Isso, o tal de princípio da presunção da inocência. Que bobagem isso não? Bando de defensor de direitos humanos, babacas esquerdistas! O negócio é que todo mundo é culpado até se prove o contrário! Ora bolas...

E o pior é que a minuscula frase posta em cima do "Foram Eles" protege a Veja, porque quem acha isso é a policia, não a publicação. Isso na realidade é comum no meio jornalistico, mas as vezes da vontade de chorar.

Sinceramente, em poucas linhas, eu acho que há uma grande possibilidade que tenha sido eles. A perícia parece apontar para isso. Mas eu ACHO, sem ter acesso ao Inquérito, à perícia (porque vai saber se o que falam na mídia é tudo que está nos relatórios), aos depoimentos. Sem falar que ainda não há processo penal! não há ação penal, os dois não são réus, não foram denunciados, a denúncia não foi aceita. Então pelo amor de Deus, será que não dá pra maneirar? Ou será que os íntegros jornalistas de meios de comunicação como a Veja vão alegar que "é isso que o povo quer ler, é isso que vende"? Foto de acidente também vende, de corpos despedaçados, de mutilações...Mas isso não se publica. Não sei sinceramente se há uma lei ou regra proibindo a divulgação desse tipo de imagem (pra suícidio parece que há). A galera gosta de sangue, então é complicado se amparar em argumentações baseadas em sentimentos irracionais da população.

Mas quem sou eu para questionar o Quarto Poder? Vejam (olhem o trocadilho) a capa dessa semana:

Boas lembranças: PRR4 e JFRS

Essa última semana foi cheia de nostalgia para mim. Sexta passada fui almoçar com os colegas do meu último estágio na Procuradoria Regional da República da 4ª Região. Na quinta-feira fui almoçar com os colegas do estágio anterior, na 1ª Vara Criminal da Justiça Federal. E como foi bom!


Ambos estágios foram maravilhosos, em todos os sentidos. Aprendi bastante, desconstruí alguns mitos acerca do funcionamento do Judiciário e do Direito, conheci pessoas maravilhosas. Aliás, pra mim, foi isso que ficou. O pessoal da PRR4, por exemplo, foi muito importante, pois me ajudaram, deram muita força quando minha mãe ficou doente enquanto eu cursava o último semestre da faculdade. Qualquer outro lugar me mandaria embora, mas lá eu recebi muito apoio, tanto para ajudar nos problemas , quanto na hora de fazer piadas e comentários de duplo sentido, o que sempre alegrava minhas tardes. Vou ficar agradecida pro resto da vida.


Na Justiça também. Foi lá que conheci algumas das pessoas mais fascinantes que já passaram pela minha vida. Pessoas inteligentes, competentes, companheiras. Lá ganhei uma "mãe" postiça que me recebeu de braços abertos mesmo depois de um ano e meio de ausência. Foi ela, inclusive, que me deu de presente uma caneta que é a coisa mais bonitinha: rosa com um cachorro de pelucia em cima. Sei, sei, coisa infantil...Mas amei, não consigo parar de olhar e ficar feliz. Quando tu entra em um lugar no qual tu trabalhou por um ano, de onde saiu há três e as pessoas lembram de ti, falam como se fosse ontem que tu estivesse ali, não tem como não ficar contente...pelo menos eu fico, sendo manteiga derretida do jeito que sou.


Nessas horas eu vejo como sou tosca.Vivo tendo pensamentos pessimistas e vendo o pior do ser humano, mas na prática, sou uma Poliana. Acredito nos sentimentos verdadeiros, na amizade e no companheirismo. E fico pensando em como tenho sorte de possuir um circulo de amizades e contatos tão especiais. Prefiro pensar que sou tosca do que hipócrita, mas deixemos isso pra outro dia.


Só pra dar uma palhinha de como eu sou boba, tirei uma foto do presentinho que a "mãe" Rose me deu. Vejam e podem rir a vontade.





Reflexões

Decálogo da Segurança



1) Os terroristas jogam com o medo e o pânico. Somente um povo previnido e valente pode combatê-los. Ao ver um assalto ou alguém em atitude suspeita, não fique indiferente, não finja que não viu, não seja conivente, avise logo a polícia. As autoridades lhe dão todas as garantias, inclusive do anonimato.


2) Antes de formar uma opinião, verifique várias vezes se ela é realmente sua, ou seja, se não passa de influência de amigos que o envolveram. Não estará sendo você um inocente útil numa guerra que visa destruir você, sua família e tudo o que você mais ama nessa vida?


3) Aprenda a ler jornais, ouvir rádio e assistir TV com certa malícia. Aprenda a captar mensagens indiretas e intenções ocultas em tudo o que você vê e ouve. Não vai se divertir muito com o jogo daqueles que pensam que são mais inteligentes do que você e estão tentando fazer você de bobo com um simples jogo de palavras.


4) Se você for convidado ou sondado ou conversando sobre assuntos que lhe pareçam estranhos ou suspeitos, finja que concorda e cultive relações com a pessoa que assim o sondou e avise a polícia ou o quartel mais próximo. As autoridades lhe dão todas as garantias, inclusive do anonimato.


5)Aprenda a observar e guardar de memória alguns detalhes das pessoas, viaturas e objetos, na rua, nos bares, nos cinemas, teatros, auditórios, nos ônibus, nos edificios comerciais e residenciais, nas feiras, nos armazéns, nas lojas, nos cabelereiros, nos bancos, nos escritórios, nas estações rodoviárias, nos trens, nos aeroportos, nas estradas, nos lugares de maior movimento ou aglomeração de gente.


6) Não receba estranhos em sua casa, mesmo que sejam da policia - sem antes lhes pedir a identidade e observá-los até guardar de memória alguns detalhes: número de identidade, repartição que expediu, roupa, aspecto pessoal, sinais especiais, etc. O documento também pode ser falso.


7)Nunca pare seu carro solicitado por estranhos, nem lhes dê carona. Ande sempre com as portas de seu carro trancadas por dentro. Quando deixar o seu carro em algum estacionamento ou posto de serviço, procure guardar alguns detalhes das pessoas que o cercam.


8) Há muitas linhas telefônicas cruzadas. Sempre que encontrar uma delas, mantenha-se na escuta e informe logo a policia ou quartel mais próximo. As autoridades lhe darão todas as garantias, inclusive do anonimato.


9) Quando um novo morador se mudar para o seu edificio ou pare seu quarteirão, avise logo a policia ou quartel mais próximo. As autoridades lhe darão todas as garantias, inclusive do anonimato.


10) A nossa desunião será a maior força do inimigo. Se soubermos nos mater compreensivos, cordiais, informados, confiantes e unidos, ninguém nos vencerá.




Texto de um panfleto distribuido pelo Serviço Nacional de Informações aos DOPS's em 1969.


Tirem suas próprias conclusões...Será que isso ainda não se aplica ainda, só tendo mudado o "inimigo"a ser combatido? Coloquei em negrito minhas sugestões preferidas.

O melhor dia da semana!

Meu colega do escritório sempre diz a mesma frase às sextas-feiras: Hoje é o melhor dia da semana!
Concordo!! Porque mesmo que a gente não tenha planos, só o fato de pensar que amanhã dá pra dormir até mais tarde, que não tem aula, que depois ainda tem o domingo, já dá um up no dia. Pobre das pessoas que trabalham (ou são exploradas, depende do ponto de vista) no comércio...ou os profissionais da saúde, como minha amiga Tati.

Enfim, hoje é sexta. Então, no clima leve de hoje, posto essas idéias para portas de banheiros. Apesar de serem fotos de banheiros públicos (penso eu), deu vontade de ter em casa!
Bom fim de semana a todos!



Os Outros

Ontem a noite, cheguei em casa as 22.30, puta da cara com um cidadão que resolveu se meter na conversa que eu estava tendo com uma amiga no ônibus, e resolvi entrar na internet. Passei, só por hábito, aqui no blog, pra ver se tinham deixado um comentário ou mais vírus (hoje deixaram, tive que excluir o comentário...bando de @#@%$¨%) e tive a agrádavel supresa de ver dois comentários deixados pelo Ailton, um amigo de Minas Gerais, na postagem com os diversos mapas do Brasil. E fiquei pensando no assunto...e estou pensando ainda (sim, eu estou no trabalho, deveria estar fazendo outras coisas, mas não tá dando).

Vejamos essa imagem:


Sejamos sinceros, a gente dá risada ao ver esse mapinha. Pensamos : "haha, olha só a ignorância desses americanos imperialistas que não sabem nada do resto do mundo". Aliás, americano é sempre um ótimo alvo para avacalhar, existem piadas variadas sobre o assunto e, o pior, histórias reais, como a do presidente Reagan que disse estar feliz por estar na capital do Brasil, Buenos Aires (quem dera fosse nossa capital). Mas se pararmos pra olhar o nosso próprio umbigo, veremos que a falta de conhecimento do "outro" está aqui mesmo.
Os mapas postados antes me fizeram rir, eu admito. E são engraçados porque são verdadeiros! Tenho uma amigona que foi morar no Rio há uns anos e quando ela volta pra cá, volta e meia larga alguma coisa do tipo "ah, eu tava lá e veio um paraíba falar comigo". Paraíba?? Sim, os cariocas tem realmente a mania de chamar as pessoas que vem do norte e nordeste de paraíba, seja o cara baiano, alagoano, cearense...pra eles é tudo paraíba. E pra nós, gaúchos, tudo acima do Rio é nordeste. É quase como se norte e centro-oeste não existisse a não ser nas aulas de geografia do colégio.
E apesar de engraçado, isso também é trágico, porque mostra o total desconhecimento que temos de nosso próprio país. Fazer brincadeiras como as feitas pelo pessoal do Casseta e Planeta até é legal, mas eu fico pensando se esses clichês que são construídos não acabam se tornando verdades, se não acabam sendo incorporados ao "senso comum". Eu infelizmente conheço pouco desse nosso país. Pra falar a verdade, até mês passado, só conhecia Florianópolis fora do RS. Agora conheço Curitiba também (que é uma cidade linda) mas vejam, tudo na região sul. Eu simplesmente não conheço nada do resto do país! E penso que assim como eu, grande parte das pessoas que se dão o luxo de falar de boca cheia dos problemas do "povo brasileiro", como se existisse uma coesão entre todos habitantes daqui, não conhecem mais do que as redondezas de sua cidade ou região. E como isso é problemático, fico pensando no que poderia ser feito, se as escolas deveriam proporcionar uma visão mais abrangente da diversidade do nosso país...se a gente deveria se dar conta disso e procurar trocar experiências, conhecer gente de fora do nosso mundinho...AI G-ZUZ!!! Sei lá, o que fazer???
Já falei sobre isso antes, mas uma das experiências mais gratificantes que ganhamos ao viajar é conhecer gente de fora do nosso "mundo". Ouvir sotaques diferentes, expressões curiosas, hábitos típicos de outras culturas, tudo isso faz com que nosso horizonte se expanda. E mais: mexe com a nossa vontade de conhecer mais gente, mais lugares, e isso faz com que não fiquemos parados, vendo a vida passar diante de nossos olhos. A nossa curiosidade é o que nos impede de permanecer em estado de inércia. Sim, verdade. Mas também é verdade que uma pequenissima parcela da sociedade tem condições de se dar ao luxo de viajar. Então essa opção acaba sendo muito limitada, infelizmente.
As vezes parece que quanto mais a gente pensa, mas complexas ficam as coisas nesse mundo. De fato, o ser humano parece fadado a sempre olhar aquele diferente de si como o "outro", passando esse a ser visto como "inimigo" (como podemos ver nas guerras e conflitos nacionais - o traficante, o pobre, o marginal, é sempre o outro aqui no nosso país). E isso impede que possamos enxergar além das diferenças. Como mudar isso?
Depois de ficar uma semana na Argentina, sem falar nada de espanhol pra não correr o risco de falar merda, não conseguia parar de pensar no absurdo de não ser obrigatório o ensino dessa língua-irmã nas escolas brasileiras. Estamos cercados de países hispânicos, somente nós, os Eua e Canadá não falamos esse idioma, mas é mais fácil encontrar escolas que ensinem inglês do que espanhol. É absolutamente incompreensível!
Enfim, talvez da próxima vez que assistirmos um video, ou ouvirmos uma piada sobre a estupidez dos americanos desconhecedores do resto do mundo, possamos lembrar que a gente, com sorte, sabe quais são os nomes dos 26 estados brasileiros, mas não sabe quase nada sobre a maioria deles.

Para rir um pouco.

Depois de uma postagem deprimente, uma mais alegre, para dar umas risadas.

Visão do Brasil pelos nordestinos:




Visão do Brasil pelos sulistas:




Visão do Brasil pelos paulistas:


Visão do Brasil pelos cariocas:




Um pouco de tristeza

Vontade de chorar...Pronto, já estou chorando. Sei e não sei porquê.
Choro pela indecisão, pela sensação de que estou perdida, sem saber o que quero.
Choro porque a vida nunca é como queríamos que fosse.
Choro porque isso é bom e ruim ao mesmo tempo, como é a maioria das coisas.
Choro porque queria que as pessoas fossem mais claras comigo.
Choro porque desenvolvo muito rapidamente sentimento de apego pelos outros, esperando que seja recíproco.
Choro porque sei que isso é burrice...Choro porque no fundo pareço não saber.
Choro porque acho que os outros tem mais facilidade para mudar, enquanto eu fico parada sempre no mesmo lugar.
Choro porque aos 25 anos, já me questiono se não desperdicei a vida, se estou na profissão errada...
Choro porque só eu sei da minha fragilidade.
Choro porque as vezes sinto que meu único papel na vida é ser amiga dos outros, ser enxergada apenas assim, o que pode ser bom e ruim (novamente a dualidade).
Choro, talvez, porque estou sem tomar meu remédio...os problemas aumentam de proporção sem ele...ou talvez o remédio é que os diminua.
Choro porque não sei o que fazer e as vezes queria ajuda...mas não sei para quem pedir e não sei se quero pedir.
Choro porque acho que vou morrer com esse sentimento maldito que faz eu acreditar que há algo irremediavelmente errado e defeituoso em mim.
Choro porque as vezes é preciso...
Mas depois passa, as lágrimas secam e a gente é levado a seguir em frente. Até o próximo colapso.

Agradecimentos

Queria agradecer à pessoa querida e maravilhosa que postou um comentário aqui no blog que na realidade era um vírus. Muito obrigado, agora vou ter que chamar alguém pra limpar a merda do computador do meu trabalho e explicar pra chefe. Achei uma atitude muito bonita e de caráter. Fico feliz em saber que você, querida pessoa, está lendo meus textos, espero que esteja gostando. Infelizmente não aceitarei mais seus comentários.

Novamente obrigado, pessoas como tu fazem minha fé na humanidade ficar consolidada. Infelizmente sou pobre, não acesso dados bancários por computador e mesmo que fizesse não tenho mais do que 100 pila na conta. Não tenho informações privilegiadas, só as senhas de email e orkut. Desculpa, talvez vc quisesse achar algo de valioso no meu computador...Não será dessa vez. Boa sorte na próxima tentativa de fuder o pc alheio.

Ah, bom fim de semana e tudo de bom. Satã lhe espera ao fim da jornada.

Brincando de verdade

Ah, a sabedoria popular! Dizem por aí que é brincando que a gente fala muita verdade...Isso é muito interessante.
Certa vez questionei minha psicóloga sobre isso, e ela confirmou aquilo que é meio óbvio: ao falar algo em tom de brincadeira, nos damos a liberdade de dizer coisas que, do contrário, não teriamos coragem para exteriorizar. Isso vale para o lado bom e para o ruim.
Enfim, fico me questionando até que ponto isso vai, qual o limite. Será que tudo que falamos "brincando" é verdade? Já pensaram na complicação se a resposta for sim? Imagino que, como tudo em nossas vidas, o inconsciente brinca bastante com a gente nesses momentos. As vezes, a gente fala algo e não percebe quanto de verdade tem ali...Mas isso é normal, pois imagino que na origem disso esteja um mecanismo de proteção, de defesa da nossa saúde mental.
Bom, não nos resta muito a não ser encarar os fatos, e se as brincadeiras são verdades tranvestidas, vamos ter que encara-las como sua irmã sem adjetivação. E encarar a verdade quase sempre é uma merda quando não queremos fazê-lo.
Well my good people..vou trabalhar, porque infelizmente meu emprego não é escrever bobagem em blog na internet...bem que eu queria que fosse!

Nossa realidade é aparência?

Nós, humanos, somos animais muito curiosos. Convencidos por séculos de insistência filosófica, que afirmam que somos seres racionais, politicos, negamos veementemente nossa condição instintual. Grande ilusão...quando nos damos conta de que nossas vidas são comandadas por impulsos inconscientes, essa idéia cai por terra.
Não é de hoje que tenho essa visão pessimista de nossa raça. Há tempos penso nisso e hoje resolvi escrever sobre o assunto, inspirada por acontecimentos banais, mas que fazem pensar.
Ao longo de nossas vidas, somos obrigados a manter contato com outros da espécie, já que somos seres sociais. Assim, além do vínculo familiar (esse instituto que nos "diferencia" do resto dos animais), passamos a estabelecer contato com outras pessoas, na creche, no parquinho, no colégio, no clube, na praia, na faculdade, no trabalho, e assim por diante. Também mantemos relações sociais com pessoas desconhecidas, aquelas que passam por nós nas ruas, aquelas que nos atendem em bancos e lojas, etc. Pois bem, por alguma razão, as pessoas enquandradas no primeiro grupo (das relações mais íntimas, por assim dizer) acabam por fazer florescer, muitas vezes, uma relação de confiança, que nos faz acreditar na idéia de que podemos conhecer REALMENTE as pessoas a nossa volta.
Ai ai, doce ilusão. Se a gente não se conhece realmente, como conhecer os outros? Será que podemos acreditar que somos aquilo que aparentamos para o mundo exterior? Acho que não...Nós passamos para o mundo a imagem que construímos de nós mesmos, tentando alcançar essa figura idealizada que fazemos. E assim, não podemos acreditar que de fato conhecemos algem de verdade.
Sim, estou divagando muiiito hoje. É que recentemente, tive exemplos de como podemos nos enganar com os outros. Não falo isso com rancor, ou no sentido de que "ninguém presta, a gente não conhece ninguém de verdade", não é isso. Mas de fato a gente se surpreende quando tem uma imagem de alguém e é confrontando com lados que não conheciamos. A gente fala "fulano nunca faria isso, tenho certeza", "fulana é muito feliz, eu sei", "ciclano e beltrano são grandes amigos, vão morrer juntos", "posso contar contigo sempre", "fulaninha e beltraninho são tão felizes juntos"...e na real a gente ta falando de algo que não podemos saber com certeza! A gente pode, no máximo, conhecer o lado racional daqueles próximos a nós, mas o turbilhão que existe no inconsciente, lá no porão interno que existe em cada um, não tem como! É impossivel, no meu modo de ver.
Isso é tão perigoso...porque é tão fácil cair na armadilha do cinismo, da descrença no ser humano... Ainda mais porque não admitimos isso, fiéis que somos à idéia de que a racionalidade, a consciência manda em nossas vidas. Admitir o contrário faz com que fiquemos em um vazio: em que acreditar, onde se agarrar? Como viver sabendo que a gente pode se fuder (não no bom sentido) ao nos relacionarmos com outras pessoas, sejam amigos, colegas, familiares. É muito foda...
Já dizia Nietzsche que "Todo o homem dotado de espiríto filosófico tem mesmo o pressentimento de que sob esta realidade na qual vivemos e existimos, existe uma outra escondida, bastante diferente; nossa própria realidade é aparência".
Assim, a conclusão desse desvaneio pra lá de estúpido (estou um pouco de ressaca hoje, confesso...ontem foi o baile de aniversário de Porto Alegre e enfiei o pé na jaca com amigos na redenção) é a seguinte: não posso colocar a mão no fogo por mais nada nem ninguém nesta vida...nem por mim!